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21 de maio de 2016

UMA SEMANA APÓS DILMA SER AFASTADA, BOLSA AFUNDA E DÓLAR DISPARA; O QUE DEU ERRADO?

O mercado financeiro parecia desejar compulsivamente a saída da presidente Dilma Rousseff, reagindo euforicamente a cada notícia negativa para o governo dela. No entanto, passada uma semana do afastamento, o Ibovespa já caiu 6% e o dólar se valorizou 5% ante o real. Levando os investidores a se perguntarem: o que deu errado?

O mercado não gostou do presidente interino Michel Temer? Os ministérios foram mal escolhidos? A economia estava pior do que se imaginava antes? Para uma série de analistas, gestores e economistas entrevistados pelo InfoMoney, as razões vão além do cenário político e chegam até sinalizações pouco alentadoras no exterior, que revelam cada vez mais que o ajuste necessário para tirar a economia brasileira do atoleiro do momento será mais difícil do que se imaginava.

“O mercado passou os últimos meses comprando que o Temer seria o novo [Maurício] Macri”, afirma Rodrigo Octávio Marques, sócio-gestor da Queluz Asset, referindo-se ao presidente argentino que implementou uma série de medidas para afastar o país da crise econômica que tomou conta das gestões kirchneristas. Para Marques, esse sentimento fez com que o Ibovespa se descolasse muito dos seus fundamentos, principalmente se considerarmos o movimento de queda das commodities que ocorreu paralelamente ao rali do impeachment.

“Uma série de boas notícias e uma capacidade de gestão impressionante foram antecipados sem nem haver um movimento de transição, que é você montar uma equipe e depois planejar as medidas para resolver os problemas fiscais”, explica. Na avaliação do gestor, as tão esperadas ações concretas para combater a crise só serão votadas no Congresso depois das Olimpíadas e das eleições municipais, de modo que o curso da economia só vai começar a ser ajustado em novembro.

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