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12 de maio de 2016

CRISE DEIXA DÚVIDAS SOBRE FUTURO DO 'LULISMO'

A derrocada da presidente Dilma Rousseff e a Operação Lava Jato colocam em dúvida a sobrevivência do que se convencionou denominar, entre acadêmicos e especialistas em marketing político-eleitoral, de "lulismo", o legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu futuro político.

Francisco Malfitani, um dos precursores do marketing político no Brasil, avalia que o "PT está moribundo, mas não morto nas próximas eleições". Para ele, o legado dos dois mandatos de Lula ainda é capaz de fortalecer o partido.

"Lula, apesar de estar com sua imagem bem arranhada, ainda é a maior liderança individual da política no Brasil", afirma. Essa imagem de líder, porém, só poderia ser mantida se um possível governo do vice-presidente Michel Temer fracassasse, analisa Malfitani. "Se o País voltar a progredir e crescer com Temer, o legado de Lula começa a ficar mais distante e ele pode se enfraquecer. Se o governo Temer fracassar, Lula é candidato favorito em 2018."

Para o filósofo e professor da Unicamp Marcos Nobre, o campo da esquerda deve decidir se Lula é o melhor candidato para 2018. "O lulismo é uma proposta de pacto social e político muito amplo que o Lula fez.

Na avaliação do professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj José Maurício Domingues, não há como a biografia e a popularidade de Lula não terem sido afetadas pelo impeachment de Dilma e pelo que ele chamou de "cacoetes típicos dos políticos tradicionais".

"Lula segue eleitoralmente muito forte, mas o sucesso do fim de seu segundo mandato parece haver embriagado a ele e ao PT. Será preciso mais humildade para dar a volta por cima, mostrando que pretendem modificar práticas políticas, reformar o sistema de verdade e apresentar uma agenda progressista para o País", avalia.

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