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9 de dezembro de 2015

NO BRASÍL: SÓ NÃO CORRE RISCO QUE ESTAR MORTO

Todo o mundo está sujeito a sofrer algum tipo de violência nesta vida, mas nós, brasileiros, corremos mais riscos do que o resto do mundo. No Brasil, as coisas se resolvem na porrada, e nenhum homem ou mulher, nenhum jovem ou idoso, nenhuma travesti ou outra minoria do momento escapará disso. Minorias e maiorias, das mais diversas cores, estarão sujeitas ao rigor biliário brasileiro.

Aquele que não corre este risco só pode estar morto; e mesmo aos mortos não é garantido o sossego debaixo da terra. A grande maioria de nós atravessará a vida como quem atravessa a rua quando vê uma pessoa suspeita. Viver no Brasil é estar em constante estado de alerta para tentar perceber quem vem vindo na nossa direção.

Se os vinhos e queijos são a marca da França; se as folhas de coca e as touquinhas de lã são a marca da Bolívia, a nossa marca é a de tiros de fuzil na lataria do carro. Diria até que a violência é a força motriz que move o Brasil. Aqui, toda a ação humana se manifesta através da violência física por atos menos ou mais brutais do que um chute na altura dos rins.

Para uma pessoa habituada a sair de casa e sempre me espanta o entusiasmo com que as pessoas saem de suas casas, a rua não é dos lugares mais agradáveis. Esta pessoa estará sempre sujeita a sofrer algum tipo de violência e, com frequência, sofrerá.

Em nenhum campo de atuação poderá contar com o mínimo de segurança ou se verá livre de assaltos. Mesmo se você for um juiz, com direito a escolta armada, correrá o risco de ser perseguido e assassinado de madrugada. Se você denunciar algum escândalo de corrupção em seu município, poderá aparecer morto nas semanas seguintes. 


Se você protestar contra o Estado, os agentes deste tratam de silenciá-lo na porrada. Se você dirigir um carro preto, correrá o risco de apanhar; se você for passageiro desse carro preto, também. Não importa a sua orientação sexual, classe econômica ou o assento que ocupa no carro. Se você for juiz ou médico, dentista ou doméstica. Portanto, nunca entendi a frequente pergunta: Por que o Brasil é o país onde mais se mata tal e tal minoria? Em vez disso, a pergunta que devia ser feita é: Por que tudo é motivo de violência neste país.?

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