Pesquisas recentes indicam que todos os grandes partidos têm perdido muita audiência entre os eleitores.
Já no final de junho, o Datafolha indicava que os três principais partidos, o PT, o PMDB e o PSDB, tinham despencado para 20% ou pouco menos na percepção de “prestígio” do eleitorado, enquanto as rejeições disparavam, simultaneamente, para 38, 21 e 21%.
O efeito gangorra entre PT e PSBD (assim como a usual habilidade do PMDB em se equilibrar entre os dois) foi substituído por uma onda de descrédito geral.
O Ibope, no começo deste mês, confirmou essa tendência. Respectivamente 40 e 30% (somando 70%) têm uma imagem desfavorável e muito desfavorável do PT; 36 e 14% (somando 50%) têm uma imagem desfavorável e muito desfavorável do PSDB; 37 e 13% (somando igualmente 50%) têm uma imagem desfavorável e muito desfavorável do PMDB. 45% dos eleitores pesquisados não simpatizam com partido nenhum.
Cada partido tem seus próprios vilões. Mas a tendência a ocorrerem “contaminações” cruzadas também tem se acentuado. Que o diga o PT. O custo para Lula de ter jogado todos os seus trunfos na reeleição de Dilma está saindo cada vez mais caro para os dois.
No terreno do PMDB, a situação é um tanto diferente. Mesmo o eleitorado do partido sabe que ele é uma federação de interesses diversos, sem consistência ideológica. É por isso que as investigações contra Cunha não pesam tanto no clima contra Renan, e as investigações contra os dois não chegam a contaminar muito Temer.
Curiosamente, a possibilidade do vice Temer vir a suceder Dilma obrigou o partido a fazer um movimento inédito, apresentando um documento com propostas econômicas chamado Uma Ponte Para o Futuro, buscando credenciar o partido (e o vice-presidente) junto aos agentes econômicos do país. O PMDB costuma se dedicar mais às costuras de bastidor.
Mas este é um jogo complexo, de movimentos cuidadosos, para não precipitar nada. Entretanto, o acordo entre Cunha e o PT sofreu um forte revés (esta semana o presidente da Câmara tinha passado a declarar que não examinará mais os pedidos de impeachment neste ano, e o partido prometeu ajudar a protelar o processo contra Cunha na comissão de ética começando por seus três representantes não darem quórum à reunião de ontem).

Nenhum comentário:
Postar um comentário