Na virada do século, em 2001, o especialista em recursos hídricos Marcos Freitas, então diretor da Agência Nacional das Águas (ANA), foi convidado por uma revista a fazer projeções sobre o futuro do Brasil e como seria a vida dos brasileiros em 2015.
À época, a resposta de Freitas pareceu um tanto esdrúxula: o país, mesmo tendo o maior volume de água doce do planeta, viveria uma grave crise hídrica, afirma ele.
Mas se o problema era conhecido há tantos anos, por que não foi evitado? A resposta é complexa. O fato é que a previsão de Freitas mais de uma década atrás não tinha nada de sobrenatural. Estava baseada em números.
Entre 1998 e 2000, Freitas trabalhava na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), onde já se preocupava muito com a quantidade de água disponível no Brasil. Quando foi transferido para a ANA, em 2001, e começou a prestar atenção na qualidade da nossa água ficou estarrecido com a poluição de rios e a falta de tratamento. Para ele era questão de tempo.
Agora no país inteiro a população sofre com a pressão reduzida na rede, o que muitas vezes significa conviver com torneira seca. E pior: em várias cidades a população está sendo obrigada a enfrentar um rigoroso racionamento e ficar várias semanas sem água.
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