A seca que aflige o Rio Grande do Norte desde 2012 vai se estender por mais um ano. De acordo com informações da Secretaria Estadual de Recursos Hídricos (Semarh), as chuvas devem continuar escassas até o primeiro semestre de 2016.
O reflexo será a redução ainda maior do volume das bacias hídricas potiguares. Hoje, dos 46 reservatórios existentes, 19 já alcançaram o volume morto. O secretário estadual de Recursos Hídricos, José Mairton França, considera delicada a situação das seis bacias hidrográficas potiguares.
Todas estão abaixo dos 30% de reserva total. “Não tivemos recargas este ano e nem mesmo no ano passado. A tendência é que a situação seja a mesma no próximo ano, mas estamos torcendo pela chuva e recuperação dos reservatórios”, afirma.
O maior reservatório potiguar, Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, no município de Assu, está com 28,23% do volume total de 2,4 bilhões de metros cúbicos (m3). Este é o menor índice registrado desde 1983, quando a capacidade atingiu 32%. Em apenas 12 meses, o nível da barragem caiu 16%. Em junho de 2014, o açude estava com 44% do volume.
A estimativa da Secretaria de Recursos Hídricos é de que o reservatório continue operacional até setembro do próximo ano. A estrutura garante o abastecimento de 35 cidades da região do Vale do Açu. “Esperamos com otimismo as chuvas para o próximo ano, mesmo abaixo da média, para que tragam alguma recarga para os reservatórios”, reforça.
O segundo maior reservatório potiguar, a barragem de Santa Cruz, em Apodi, chegou esta semana ao menor nível de reserva desde que foi inaugurada em 2003, atingindo 36,27% dos 599 milhões de m3. O volume atual garante uso da água até 2019.
A barragem de Umarí, na cidade de Upanema, com 32% da capacidade de 292 milhões de m3, está entre as unidades de abastecimento em melhor situação, considerando aquelas com reservas acima dos 100 milhões dos metros cúbicos, o que inclui a Armando Ribeiro e a de Santa Cruz de Apodi.
A estrutura abastece apenas o município em que está sediada, mas isso pode mudar para o próximo ano, aponta José Mairton França. “Enviamos um pleito ao Ministério de Orçamento para a construção de uma adutora para atender o Alto Oeste potiguar. Aguardamos uma resposta ainda para este ano”, conta.
No entanto, ao depende do clima, a situação dos reservatórios potiguares tende a piorar. Com a proximidade do término da estação chuvosa entre os meses de fevereiro e agosto, as bacias potiguares não apresentaram qualquer aumento de carga. Isso pode ser visto através de outro importante reservatório, o açude Marechal Dutra, mais conhecido como “Gargalheiras”, que opera hoje com 1,88% da capacidade (44 milhões de m3).
Para impedir uma redução ainda rápida das cotas volumétricas, o governo vai priorizar o abastecimento humano. A partir do dia 1º de julho, por exemplo, a primeira ação do tipo será tomada. As águas da bacia Piranhas-Açu não poderão ser utilizadas para fins de irrigação.
A bacis Piranhas-Açu atende a uma população de quase 450 mil potiguares. Com 2,9 bilhões metros cúbicos de água, a bacia tem hoje um volume total de 751 milhões, o que representa uma reserva de 25,35% de armazenamento.
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