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4 de abril de 2015

VEJA COLOCA, DE NOVO, A FACA NO PESCOÇO DO STF

A revista Veja, da Editora Abril, fez de tudo para convencer o empresário Ricardo Pessoa, sócio da UTC Engenharia, a ceder aos encantos da delação premiada. Chegou até a dedicar uma capa a ele, indicando o que Pessoa diria em sua eventual delação basicamente, que financiou a campanha de 2014 da presidente Dilma Rousseff e que empréstimos do BNDES a sua empresa foram condicionados a esse apoio.

Por alguma razão, no entanto, Pessoa não aceitou encarnar o papel de delator e, assim como outros empresários e executivos presos em Curitiba, poderá ser solto nos próximos dias pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. O motivo: há um grande desconforto, na corte, com a duração das prisões preventivas decretadas pelo juiz Sergio Moro, que já ultrapassam 120 dias. Para muitos ministros, trata-se de uma execução antecipada de uma pena, antes de qualquer condenação, o que fere garantias constitucionais básicas.

Como Pessoa deve ser solto, Veja utilizou, neste fim de semana, a mesma estratégia empregada ao longo de outros processos emblemáticos, como a Ação Penal 470. Puxou a faca e a colocou no pescoço dos ministros do STF, na reportagem "Operação cala-boca".

O texto sugere que Pessoa poderia indicar "o chefe", "o cabeça" responsável pelo "desfalque bilionário". Diz ainda que "quanto mais o tempo passa, maior a probabilidade de um empreiteiro de primeira linha contar o que sabe e, portanto, maior a agonia do governo". Veja, no entanto, informa que "essa agonia, ao que parece, está perto de acabar".

Todos os pedidos de habeas corpus serão julgados pelos ministros que compõem a Segunda Turma do STF. São eles Teori Zavascki, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Carmen Lúcia e Dias Toffoli. Nessa mesma reportagem, Veja coloca sob suspeita o ministro Dias Toffoli. "O currículo dos ministros e seus sucessivos votos pela absolvição no processo do mensalão sugerem um ponto a favor dos investigados. Só sugerem", diz o texto.

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