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4 de abril de 2015

O DEBATE SOBRE O DECLÍNIO DE DILMA NO IBOPE

Segundo a pesquisa CNI/Ibope, a aprovação da presidenta Dilma despencou brutalmente. Passou de 52% para 19%. A maior queda em três meses de um político que se tem notícia na história do mundo.

Diante da falta de criatividade do governo, que não conseguiu inventar um slogan decente após as eleições (o máximo que conseguiu foi desengavetar um “Pátria Educadora”, tirado de algum documento militar dos anos 50), o normal seria voltar ao que era antes da eleição, por volta de 44% em junho de 2014.

A história do ajuste fiscal, e uma situação econômica mais tensa, podem tirar aí, brincando, uns dez pontos. O avanço dos ataques midiáticos nesses primeiros meses, violentíssimo, em função do inquérito da Lava Jato, também não ajuda a consolidar nenhuma popularidade.

Seria esperado, portanto, que Dilma estivesse com uns 30% a 34% de aprovação nesse período. A queda no valor das ações da Petrobrás, no qual entram em jogo fatores geopolíticos complexos, produz igualmente um dano na aprovação do governo.

Não é fácil lidar com Tio Sam e Dow Jones jogando juntos para ganhar dinheiro em cima dos brasucas ingênuos. Entretanto, os números do Ibope revelam que Dilma sofreu pesadas baixas também junto a seu próprio eleitorado. Dilma esqueceu que ganhou as eleições.

Esqueceu, sobretudo, como foi o processo eleitoral do segundo turno. Dilma conquistou núcleos políticos e culturais fortíssimos. Parte importante do eleitorado dilmista não aprova a Dilma de hoje, porque entendeu que ela ainda não provou que tem um coração valente para liderar a luta política contra a oposição conservadora. O governo não é um ser isolado. O processo eleitoral consolida relações entre setores da população e o candidato.

Dilma produziu apenas símbolos hostis à sensibilidade política de seu próprio eleitorado.Katia Abreu, Levy, ajuste fiscal, corte de direitos. Não teve um contraponto positivo. Não teve um avanço na política externa, na comunicação pública, na cultura, na democratização da mídia, nada.

A gente entende que o governo precisa enxugar gastos, mas não é melhor que o faça discretamente, sem alarde, de maneira eficiente e silenciosa?. Não é preciso fazer do ajuste fiscal a única e exclusiva bandeira do governo.!

Está faltando dinheiro? Então invente uma coisa legal que se possa fazer gastando pouco e que contará com a simpatia do povo brasileiro. O presidente governa para todos, mas não deixa de ser um agente político que deve sua existência, sua força e sua estabilidade a uma base de eleitores.

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