PSDB e PT estão brincando com fogo e quem pode sair queimada é a democracia brasileira. Depois de um show eleitoral que eletrizou o País, repleto de surpresas, viradas e uma disputa voto a voto que resultou sim numa vitória apertada, mas limpa e legítima, a reeleição da presidente Dilma Rousseff vai sendo questionada de maneira perigosa. Não apenas, igualmente vai sendo defendida de um modo bastante arriscado.
Na terça-feira 4, enquanto o ex-candidato tucano falou em chamar para o seus domínios um "grande exército a favor do Brasil", a resposta do comando petista foi um panfleto eletrônico, via Facebook, no qual se convoca: "Militância, às armas!". Tudo no sentido figurado, mas essas são as palavras que atingirão o público. Nessa batida, que se dá antes mesmo de serem completadas duas semanas do final da campanha eleitoral, onde se quer chegar?
Tanto na recusa ao diálogo com o governo, posição professada do ex-presidente Fernando Henrique ao ex-candidato a vice Aloysio Nunes, como na dificuldade da cúpula do PT em se posicionar além e acima dessas provocações de viés estudantil logo um partido que venceu uma, duas, três e quatro eleições presidenciais seguidas – mora o perigo. No meio destes opostos, corre solta uma nova direita de cunho golpista, que já demonstrou a capacidade de ocupar a maior avenida de São Paulo, no sábado 1, sem ser incomodada.
O risco não é pequeno. Tome-se a hipótese, neste vácuo de diálogo entre os partidos envolvidos diretamente na peleja, de um ato qualquer de violência. O que pode acontecer? Neste momento, caso o "exército" a que Aécio se referiu se depare nas ruas com "as armas" da militância petista, o que haveria com quem apenas e simplesmente foi às urnas escolher o candidato que considerou mais preparado para dirigir o País?
Em 1964, a resposta para os movimentos de desestabilização ao presidente João Goulart, a partir da renúncia embriagada do titular Jânio Quadros, em 1961, resultou numa ditadura de matou, torturou e reinou pelos seguinte 21 anos.
É de se admirar, negativamente, que chefes partidários experientes como são os do PSDB admitam o confronto permanente com a presidente reeleita, como se revela em todas, sem exceção, manifestações de quadros como os próprios Aécio e FHC, além de Goldman, Nunes e outros menos famosos.
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