Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado nesta terça-feira (19) aponta Alagoas como o estado mais violento para negros no país, onde há a maior perda de expectativa para homens da etnia ao nascer em razão da violência.
Segundo o estudo, feito com dados do Sistema de informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde e do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de negros e pardos (93,9 milhões) quase alcança a de não negros (96,7 milhões), mas a incidência de mortes violentas na primeira parcela é muito maior.
A taxa de homicídios de negros no Brasil é de 36 para cada 100 mil; para não negros, ela é de 15,2. Ou seja, para cada homicídio de não negro no país, 2,4 negros são assassinados. Em Alagoas, estado que encabeça a lista, o índice sobe para 17,4 negros mortos para cada não negro assassinado. O Paraná é o único estado do país onde há mais mortes de não negros.
Os autores do estudo demonstram preocupação com a descrença da população negra com ajuda policial ao ser vítima de violência. Cerca de 61,8% das vítimas de agressão negras não procuram ajuda policial – contra 38,2% dos não negros. Nos questionários do Ministério da Saúde analisados, 60,3% dos negros apontaram que não vão até a polícia porque “não acreditam” na instituição; outros 60,7% responderam que não queriam intervenção policial no caso por medo ou represália.
Os dados do Ipea também mostram que a população carcerária do país é majoritariamente negra: são 252.796 mil negros e pardos, ante 169.975 não negros, conforme levantamento do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça. O estudo, intitulado “Vidas Perdidas e Racismo no Brasil”, é divulgado na véspera do Dia da Consciência Negra, celebrado nesta quarta, dia 20 de novembro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário