A investigação jornalística feita pelo jornal Estado de S.Paulo mostra que a política brasileira, nas pequenas e grandes cidades, ainda se move pela violência. Pelo menos 1.133 assassinatos ocorreram na base da pirâmide política nos últimos 34 anos - o que equivale a um crime a cada 11 dias no País.
Foram 17 meses de levantamento de homicídios em Tribunais de Justiça dos Estados, nos acervos de entidades de direitos humanos, nos arquivos de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), em delegacias de polícia e em cartórios. Percorri 14 Estados.
O levantamento mostra uma lista de crimes provocados pela disputa de poder político. São assassinatos cometidos para garantir espaço na máquina pública, vingar a morte de um aliado ou liquidar testemunhas. Só foram considerados casos sem divergências de versões dos órgãos de investigação sobre a autoria e as motivações.
Para um raio X da política que se pratica pelo Brasil afora, a contagem da matança teve inicio no dia 28 de agosto de 1979 - quando entrou em vigor a Lei da Anistia, que facilitou o acesso às instituições públicas sendo analisdo casos ocorridos até o final de agosto deste ano.
O levantamento contatou que a violência prospera diante da cumplicidade da extensa cadeia política. O esforço para impedir investigações abre espaço para a impunidade. Cúpulas partidárias fecham os olhos para desmandos locais. Governadores perseguem, muitas vezes, delegados e promotores, encarregados de formalizar as denúncias.
Apesar de a matança relatada neste caderno ter como causa a disputa pelo poder, curiosamente, o crime político raramente é ideológico.
A violência que prospera à sombra da democracia não é monitorada. Um relatório da Justiça Eleitoral detectou apenas 100 mortes políticas desde 1979. No levantamento que fiz, 13 pessoas foram assassinadas em disputas políticas só neste ano. Em 2012, foram 91 mortes, recorde em três décadas.
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