Coronel Araújo Silva, comandante da PM/RN
Algumas fontes revelaram como funcionam os esquemas. De acordo com um policial civil, que terá identidade preservada, que os grupos estão organizados há cerca de cinco anos. Ao longo desse tempo, vários policiais foram presos por envolvimento e alguns, inclusive, expulsos da Polícia Militar. No entanto, a vida no crime continua.
“Tinha um grupo muito forte agindo na Zona Norte, que era comandado por José Carlos Araújo de Medeiros, conhecido por Carlos Cacuruta. Ele teve mandado de prisão expedido ainda em 2007, na ocasião em que foram presos os policiais Marcílio Carvalho Régis e Adriano Lúcio Feliciano da Silva. Mesmo com a identificação desses, a quadrilha continua agindo”, revela.
De acordo com a fonte, atualmente, existem policiais militares atuando no crime. “Quando a Polícia Civil começou a investigar a quadrilha de Carlos Cacuruta e foi identificando todos os membros, eles se dividiram e passaram a atuar em grupos menores. Hoje, só na Zona Norte e em São Gonçalo são três milícias. Além disso, existe uma atuando na região de Macaíba, Parnamirim e Zona Sul de Natal. Um grupo não pode invadir o espaço do outro”, ressalta.
São cerca de 30 policiais militares realizando uma espécie de poder paralelo. “Tradicionalmente, eles fazem extorsões em bocas de fumo, obrigando os traficantes a pagar o famoso ‘arrego’, mas, também passaram a atuar em outros segmentos. Hoje, as milícias roubam um carro, coloca determina pessoa dentro e saem para praticar roubo. Ao final, ateia fogo no carro com a pessoa dentro para não deixar pista”, explica o policial.
Um exemplo disso foi o caso do empresário José Edilson dos Santos, de 44 anos, que foi encontrado totalmente carbozinado na estrada de Serrinha, próximo à Santo Antônio. Ele morava no loteamento Nova República, em Pajuçara, na Zona Norte de Natal, mas era proprietário de um transporte alternativo que circulava em Parnamirim. No dia 26 de setembro saiu de casa em um Ford Ka e não foi mais visto. O veículo também foi queimado.
Outro caso atribuído às milícias foi a morte de um homem no dia 30 do mês passado. Ele foi encontrado próximo a um veículo Pólo, com placas NVD-3761, do Ceará. “Eles pegam as vítimas, praticam os crimes e matam para não deixar rasto. Algumas mortes, no entanto, são cometidas por queima de arquivo dos próprios integrantes da quadrilha”, completa o policial.
Questionado sobre o assunto nesta terça-feira em Natal, o comandante geral da Polícia Militar, coronel Francisco Canindé de Araújo Silva, destacou a intolerância da corporação com policiais que apresentam desvio de função.
“Sempre que recebemos denúncias de atos criminosos, imediatamente abrimos sindicância para apurar. Em caso de comprovado a transgressão, nós punimos rigorosamente. Prova disso, é que desde que assumi o comando da PM, já foram expulsos 53 policiais”, explica.
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